
mil e um dias
mil caminhos
acasos_uns
fado_outros
o forte e o fraco
timbres incertos
nos olhos e nas mãos


Foi a Ti Maria Oliveira que a fez. Juntamente com a marafona entrega um papelinho que diz assim:
Boneca de trapos feita a partir de uma cruz. Simboliza a Deusa Maia, Deusa da fecundidade. Não tem olhos para não ver e boca para não falar, porque é deitada na cama dos noivos na noite de núpcias, para dar sorte. Deitada em cima das camas, nos dias de grandes trovoadas, afasta-as.

Quem não presta para comer, não presta para trabalhar. Diz o povo e também... os comilões.
A Castanheira (aldeia do concelho da Guarda) era uma terra de tecedeiras. Mas havia também sapateiros e ferreiros. Tantos eram os trabalhos e as canseiras que os relatos hoje recolhidos nos falam de uma terra em que as luzes nunca se apagavam. (Luzes ténues de candeeiros a petróleo, entenda-se.) Quando uns se deitavam, findo o serão que entrava pela noite dentro, outros já se levantavam para madrugar na arte. Terra de artistas, portanto.
A discussão acerca dos sentidos: olhamos, mas não vemos; ouvimos, mas não escutamos.